sábado, 25 de agosto de 2012

O amor do Pequeno Príncipe - Cartas a uma desconhecida

  …Descubro com melancolia que meu egoísmo não é tão grande assim, pois dei ao outro o poder de me magoar.
  …Os sorrisos, as palavras sem importância que são tão importantes. Escutamos a música do coração: é linda, linda para quem sabe ouvir…
 … Nunca sabemos onde começa a brincadeira nem onde ela acaba, mas sabemos que somos carinhosos. E ficamos felizes.
 … Não gosto da estação interior que substitui minha primavera: uma mistura de decepção, de secura e de rancor. Mergulho num tempo vazio onde não tenho mais motivo para sonhar. O mais triste num sofrimento é se perguntar: “vale a pena?”
… Fico chateado, pois até minha tristeza está arruinada. Mas para todos a vida está difícil. É a menos bela de minhas lembranças. Não deveria destruir minhas lembranças.
  Gostaria de apagar isso. Preciso de uma outra última lembrança…
… Eu era um pouco aquele comandante que leva seu navio para onde não deve, para as estrelas; era um pouco aquele pastor que come sua ovelha. Era um pouco um ladrão de sono…
  Foi essa a história que sonhei para inventar para mim mesmo, uma última lembrança que valesse a pena. Sei bem que não é verdade. Sei bem que é apenas um sonho sem sentido… Mas se me dá prazer esquecer seu esquecimento e inventar para mim mesmo uma lembrança?
… Só queria lhe dizer que fiquei um pouco emocionado com a conversa de outro dia… Não quero mais brigar com você. Azar o meu se às vezes fico um pouco triste. Você tem razão em tantas coisas…                 
… Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda e diz: “Era só um conto de fadas…” E a gente sorri de si mesma. Mas, no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muitos bem que os contos de fadas são a única verdade da vida.


          O amor do Pequeno Príncipe – Cartas a uma desconhecida.
                                     Antoine de Saint-Exupéry

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