Quando estamos apaixonadas significa sofrimento; quando a maior parte de nossas conversas com amigas íntimas é sobre ele, os seus problemas, o que ele pensa, os seus sentimentos… Quando quase todas as nossas frases começam por <<ele…>>, estamos a AMAR DEMAIS.
Quando lhe desculpamos o mau humor, o mau gênio, a indiferença ou os atribuímos a uma infância infeliz e tentamos tornar-nos sua terapeuta, estamos a AMAR DEMASIADO.
Quando lemos um livro de auto-ajuda e sublinhamos todas as passagens que achamos que o ajudariam, estamos a AMAR DEMASIADO.
Quando a nossa relação põe em risco o nosso bem-estar emocional e até, talvez, a nossa saúde física e a nossa segurança, estamos sem dúvida a AMAR DEMAIS.
Amar se transforma em AMAR DEMAIS quando o nosso parceiro é inadequado, desatencioso e indisponível, e mesmo assim não podemos prescindir dele… Aliás, ainda o queremos e necessitamos mais dele. Viremos a entender como querer o amor, desejar o amor, se torna uma dependência.
Dependência é uma palavra assustadora.
Se alguma vez deu consigo obcecada por um homem, pode ter suspeitado que a raiz dessa obsessão é, não o amor, mas o medo. Todas nós que amamos obsessivamente estávamos cheias de medo. Medo de estarmos sós, de sermos inaptas para ser amadas e indignas disso, medo de sermos ignoradas, abandonadas ou destruídas. Damos o nosso amor na esperança desesperada de que o homem por quem estamos obcecadas trate dos nossos medos. Em vez disso, os nossos medos e obsessões aumentam até que dar amor para recebermos se torna uma força dominante nas nossas vidas. E como a nossa estratégia não resulta, tentamos amar ainda mais. AMAMOS DEMAIS.
Descobri o fenômeno de <<amar demais>> como sendo uma síndrome específica de pensamentos, sentimentos e comportamentos. Onde todas nós precisamos negar o que é demasiado doloroso ou ameaçador para poder ser aceite por nós. A negação é um meio natural de autoproteção que atua automaticamente e espontaneamente.
È essa uma das ironias da vida. As mulheres capazes de reagir com simpatia e compreensão à dor da vida de outrem se mantêm, contudo, cegas à dor que existe ba sua própria vida. Sei muito bem disto, já que fui quase toda a minha vida uma mulher que amou demais, até que o reflexo na minha saúde física e emocional foi tão grave que me vi obrigada a analisar o meu padrão de relacionamento com homens. Tenho passado os últimos anos a tentar arduamente mudar esse padrão. Têm sido os anos mais compensadores de minha vida.
Robin Norwood – Prefácio do livro: Mulheres que amam demais.
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